ABA E AUTISMO: MUITO ALÉM DE TÉCNICAS E DIAGNÓSTICOS
EVOXIA – INTERNACIONAL JOURNAL OF SCIENTIFIC INNOVATION, Blumenau, SC, v. 1, n.1, emht77771, dez.
2025.
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gerar efeitos adversos, como reforço de comportamentos indesejados, aumento da ansiedade
ou diminuição da motivação (Silva, Pereira, 2018). Assim, o analista deve assumir uma postura
crítica, avaliando constantemente os resultados das intervenções e ajustando procedimentos
com base em evidências empíricas e considerações éticas.
As reflexões éticas e filosóficas na ABA desafiam o profissional a assumir um papel
integral e humanizado, que vai além da execução mecânica de técnicas. É necessário cultivar
empatia, responsabilidade social e compreensão profunda do comportamento humano,
reconhecendo que a intervenção efetiva depende não apenas de procedimentos científicos,
mas também da sensibilidade do analista diante da diversidade de experiências humanas. Ao
expandir sua visão, o profissional contribui para uma prática mais rica, ética e eficaz, capaz de
impactar positivamente a vida de indivíduos e comunidades (Cooper et al., 2022; Matos;
Mustaca, 2019; Rodriguez, 2019).
Outro ponto central é o respeito à diversidade. Em contextos multiculturais, o analista
encontra valores, crenças e normas sociais distintas. Uma intervenção que funcione em
determinado contexto cultural pode ser ineficaz ou até prejudicial em outro. A ABA, portanto,
requer do profissional sensibilidade cultural e empatia, garantindo que estratégias
comportamentais sejam adaptadas sem comprometer princípios éticos fundamentais. Essa
postura ética também envolve responsabilidade social, na medida em que o impacto da
intervenção se estende a famílias, instituições escolares, comunidades e organizações (Cooper
et al., 2022).
Além disso, as reflexões filosóficas em ABA incentivam uma compreensão mais ampla
do papel do profissional: não se trata apenas de “aplicar técnicas”, mas de atuar como um
agente de transformação consciente, capaz de interpretar sinais comportamentais
complexos, identificar contingências relevantes e promover mudanças significativas de forma
ética e empática. Essa perspectiva exige formação continuada, supervisão qualificada e uma
postura crítica constante, alinhando a prática profissional com valores humanos, científicos e
sociais (Matos; Mustaca, 2019; Rodriguez, 2019).
Refletir sobre a ética e a filosofia da ABA implica reconhecer que o comportamento
humano não pode ser fragmentado em respostas isoladas. Cada intervenção deve ser
concebida como parte de um sistema maior de relações, no qual o analista considera os