OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E A CENTRALIDADE DA EFICIÊNCIA NA GESTÃO CONTEMPORÂNEA
EVOXIA – INTERNACIONAL JOURNAL OF SCIENTIFIC INNOVATION, Blumenau, SC, v. 1, n.1, ev01rqa08, dez.
2025.
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Como leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2022, p. 75), “a Constituição, ao
enumerar expressamente os princípios que regem a administração pública, deu-lhes eficácia
normativa plena, tornando-os parâmetros obrigatórios de validade dos atos administrativos”.
Essa modificação os princípios administrativos a instrumentos fundamentais de controle
interno e externo da atividade estatal.
Historicamente, a evolução dos princípios administrativos acompanha as mudanças
nos modelos de administração pública. No Brasil, o patrimonialismo, marcado pela confusão
entre o público e o privado, cedeu lugar ao modelo burocrático a partir do período
republicano, especialmente com as reformas inspiradas no pensamento de Max Weber
(2022). Nesse estágio, a administração pública passou a adotar práticas baseadas na
hierarquia, na impessoalidade e na profissionalização do serviço público, visando à redução
da arbitrariedade e da corrupção (BRESSER-PEREIRA, 2022).
Posteriormente, a partir da década de 1990, com a Reforma do Estado promovida
pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, coordenado por Luiz Carlos Bresser-
Pereira, surgiu uma nova orientação para a administração pública brasileira: o modelo
gerencial. Essa concepção introduziu a preocupação com a eficiência e com a qualidade dos
serviços públicos, alinhando a gestão estatal às exigências de resultados e à satisfação do
cidadão-usuário (BRESSER-PEREIRA, 2022).
A Emenda Constitucional nº 19, de 1998 (BRASIL, 2025b), que incluiu expressamente
o princípio da eficiência no caput do artigo 37 da Constituição (BRASIL, 2025a), foi um reflexo
direto dessa mudança de paradigma.
Assim, a fundamentação constitucional dos princípios da Administração Pública no
Brasil não é apenas uma inovação formal, mas a expressão de um processo histórico de
maturidade do Estado e de suas instituições.
Trata-se de um ajuste permanente com a criação e solidificação de uma gestão
pública que seja, ao mesmo tempo, legal, ética, transparente e voltada para a obtenção de
resultados efetivos em benefício da coletividade.
Compreender essa trajetória é essencial para a adequada interpretação e aplicação
dos princípios que sustentam o governo na atualidade. Para se ter um conhecimento melhor
passa-se a conceituar e explanar os princípios contidos no caput do artigo 37, da Constituição
(BRASIL, 2025a).